quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Acácia Dourada















À Antônio e Emília Rossetto, 
meus avós, in memorian.


Extasiante acácia dourada do brejo mineiro,
No chão de minha terra goteja
O suor do povo moreno...
Oh! Imensidão, transbordante do céu,
Enchente, num Big Bang de estrelas.
No barulho do grilo, no mato, cantante traz
O cheiro da terra, num balbuciar de contentamento.
E deitar sob a lua, trazendo pontos distantes
Confundidos como vagalumes da roça
Entre o frescor das ervas, feitos lampejos.
Rememorando os cantos da minha infância,
Tão perto e distante ao mesmo tempo,
Pouco a pouco se esvai e se apaga
Na memória do meu silêncio.


imagem retirada da internet:

https://www.villadavila.com.br/a-villa?lightbox=dataItem-ij1tc9bg

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A Janela...
















À minha mãe, Nair Rossetto








Da janela
Transcendentalmente saem olhos
Aos quatro cantos da imaginação.

Dos olhos
Saem lágrimas
– não sei se é
Por nada entender
Ou por entender tudo.

A vida passa defronte à janela
E os olhos veem o mundo
Nas asas da imaginação.
E as pessoas que passam
Não veem a janela
E muito menos os olhos.

Da janela,
Retangularmente, ela vê o mundo:
Um mundo sem emoção.
Sofrendo por dentro
Só lhe abro e fecho a janela.
Como me dói o coração!

E de noite
(quando o mundo descansa)
Eu fecho a janela
E, por que não dizer,
Os olhos de minha mãe.


imagem:


At the Window by Mary Cassatt

domingo, 23 de julho de 2017

Não serão mais inúteis os versos:



























Não serão mais inúteis os versos:
Declamados ao romper da alvorada,
Aos braços da mulher amada...
Sob as incontáveis estrelas e da lua torta!
Sonhei outro País, outro Continente
Outro derradeiro Universo!
Não cabe mais aos homens deter
A chegada triunfante da primavera...
E não se derramará mais inutilmente
O imaculado sangue sobre a terra.
Ouviremos os cantos da passarada,
Trazendo-nos inesperados ventos: 
Os aromas esquecidos no outrora...
Em qualquer canto haverá mais encanto,
Como se fosse a paz desabrochando:
Numa flor do campo que nunca morre,
Trazendo consigo a esperança fúlgida
Resplandecendo, inesperadamente,
Ao poente findando a madrugada!
E todos seremos de novo crianças,
Brincando sem medo na beira da aurora,
E perseguiremos os nossos sonhos:
Não serão mais inúteis os versos
Inocentes declamados por agora!



imagem retirada da internet:

http://ozieloficial.blogspot.com.br/2011/05/eu-e-voce-vivendo-sob-uma-lua-de-papel.html







sexta-feira, 21 de julho de 2017

A ROSA DO AMANHÃ














Quando o acaso chegar
E banhar o teu véu acariciado pela aventura
De ser humana a condição lavrada
Nas têmperas das dores vividas,
Lembrarás, inevitavelmente,
Dos amores por um dia perseguidos
Numa juventude da flor da mocidade,
D’um outrora jamais esquecido.
E te contaminará de uma arrebatadora
Saudade de um tempo em que a maldade
Não abrigava nossos corpos impunes!
Íamos tão felizes sem o perceber...
Sendo que se esvaía o melhor do fruto
Com sabores finitos... De um gosto,
Que nunca e jamais apreciaríamos:
Este desejo infinito que foi as nossas vidas!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Rouxinol dos cantos esquecidos....





























À

Liu Xiaobo

Prêmio Nobel da Paz










Entre os campos embevecidos,
E ao longe, dias não vividos:
Onde a paz entre os humanos
Não ecoa ao passar dos anos.


Nestes tempos incompreensíveis,
Nos vales dos sonhos impossíveis,
Entre falésias entorpecidas,
Esperanças desaparecidas.


Preenchendo este vasto vazio,
Como se fosse nosso martírio
De desejar aquilo ao longe,
Como sendo solitário monge.


Vem o mistério do infinito
Renascer no nosso espírito,
De emoções do indefinível,
Momento nosso indissolvível

http://nobelprize.org/nobel_prizes/peace/laureates/2010/xiaobo.html#



Luis Antonio Rossetto é Registered &

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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Rouxinol dos Cantos esquecidos: Simplesmente aquarelas...

Rouxinol dos Cantos esquecidos: Simplesmente aquarelas...: N ão serei mais um poeta tolo Do Terceiro Mundo... Cansei: Do lápis, da tinta, aquarelas. Estarei nas asas do...

Simplesmente aquarelas...







Não serei mais um poeta tolo
Do Terceiro Mundo... Cansei:
Do lápis, da tinta, aquarelas.

Estarei nas asas do tempo:
Onde é infinito o agora
Em todos os idiomas, único...
Quem dera!

Aquarelas, das tintas, do lápis,
Escreverei a língua dos povos
Unidos na foice e no martelo.

Não sou eu poeta louco,
Apocalíptico?
Já vou tarde no tempo,
Quem dera!

O que fizeram do mundo,
De mim, de ti?
Simplesmente aquarelas...

E sigo a voz dos ventos:
Junto as andorinhas
Rumo a infinito...
Em busca do agora!





Marília, Agosto de 1981